A Casa do Dragão retorna em grande estilo e prova que a espera valeu a pena
23 de junho de 2026
A terceira temporada de A Casa do Dragão estreia fazendo exatamente o que os fãs esperavam: colocando a guerra em primeiro plano.
Depois de uma segunda temporada com um ritmo mais lento e a sensação de que a história estava sempre se preparando para algo maior, a série volta sem perder tempo. O episódio de estreia deixa de lado as longas reuniões e os planos discutidos nos bastidores para mergulhar de vez na Dança dos Dragões. O resultado é um capítulo intenso, cheio de ação, mortes importantes e consequências que prometem mudar o rumo da história.
A trama começa exatamente de onde parou. Enquanto Rhaenyra ainda acredita que pode haver uma solução pacífica por meio do acordo feito com Alicent, os acontecimentos mostram rapidamente que a guerra já chegou a um ponto sem volta. Em Westeros, os planos raramente saem como esperado.
O episódio acerta ao mostrar que ninguém tem mais controle sobre o conflito. A situação saiu das mãos dos líderes, e agora todos parecem apenas reagir aos acontecimentos.
Um dos destaques é Rhaena, que finalmente consegue montar o dragão selvagem Roubovelha. Depois de passar boa parte da temporada anterior tentando encontrar seu lugar na história, ela finalmente ganha um papel mais ativo. Mas a série também deixa claro que montar um dragão não significa controlá-lo. Durante a Batalha da Goela, Roubovelha se torna uma ameaça para todos ao redor, atacando sem diferenciar aliados e inimigos. É um lembrete importante de que os dragões não são armas comuns. Eles são criaturas poderosas e imprevisíveis.
Enquanto isso, a captura de Aegon e Larys muda completamente o cenário político. Larys mais uma vez mostra por que é um dos personagens mais perigosos da série, sempre disposto a mudar de lado para garantir a própria sobrevivência. Já Aegon continua guiado pelo orgulho, mesmo quando sua situação se torna cada vez mais complicada.

Em Porto Real, a relação entre Alicent e Aemond ganha destaque. Alicent percebe que já não consegue controlar o filho, que agora ocupa o Trono de Ferro e demonstra estar cada vez mais obcecado pelo poder.
A cena do beijo entre os dois é, sem dúvida, um dos momentos mais chocantes do episódio. Desconfortável e perturbadora, ela mostra o quanto aquela família está emocionalmente destruída.
Do outro lado da guerra, Daemon finalmente ganha uma direção mais clara depois de passar boa parte da temporada passada preso em visões e conflitos internos. Sua campanha militar avança e a chegada dos aliados do Norte ajuda a dar uma dimensão maior ao conflito. Pela primeira vez em muito tempo, Westeros realmente parece um continente em guerra.
Mas o grande momento do episódio é a Batalha da Goela.
Com navios em chamas, dragões cruzando os céus e confrontos em várias frentes, a sequência entrega toda a grandiosidade que os fãs esperavam. A sensação de perigo está presente o tempo todo, reforçando que ninguém está realmente seguro.
O duelo entre Corlys Velaryon e Lohar está entre os melhores momentos da batalha. Além da ação bem construída, a participação de Alyn reforça um dos temas centrais da série: os erros dos pais sempre acabam afetando os filhos.

Mas nada supera o impacto dos minutos finais.
A morte de Jacaerys muda completamente o rumo da guerra.
Montado em Vermax, Jace tenta assumir uma responsabilidade maior do que sua experiência permite e parece acreditar que ter dragões significa ter controle da situação. Mas o caos provocado por Roubovelha transforma a batalha em uma tragédia anunciada.
Quando Vermax é atingido e cai no mar, a série entrega uma das cenas mais marcantes dos últimos anos. Jace ainda tenta sobreviver, mas acaba morto por uma chuva de flechas, em um final cruel, típico do universo criado por George R. R. Martin.
A única ressalva é que a série poderia ter desenvolvido melhor o personagem antes desse momento. Sua morte tem impacto, mas teria um peso emocional ainda maior se o personagem tivesse recebido mais espaço para explorar seus conflitos e inseguranças ao longo da segunda temporada.
Ainda assim, a estreia é muito forte.
A Casa do Dragão volta com mais urgência, mais ação e consequências reais para seus personagens.
A morte de Jace, a ascensão de Aemond, as manipulações de Alicent, a captura de Aegon e o caos causado por Roubovelha deixam claro que a Dança dos Dragões entrou em uma nova fase.
E, como toda guerra em Westeros, ela já começou cobrando um preço alto.
A Casa do Dragão – 3X01: Sal e Mar, Fogo e Sangue (House of The Dragon – 3X01: Salt and Sea, Fire and Blood)
Criação: Ryan J. Condal, George R. R. Martin
Direção: Loni Peristere
Roteiro: Ryan J. Condal
Duração: 66 min.


